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domingo, 8 de dezembro de 2013

O povo à espera de um bebê: conheça o tempo do Advento

A coroa do Advento é um dos
símbolos da espera por Jesus.
O ano litúrgico católico se inicia quatro domingos antes do Natal. Esse primeiro período é chamado Advento. A palavra tem origem no latim adventus e significa “chegada” ou “vinda”. O tempo do Advento termina no entardecer de 24 de dezembro.

Em poucas palavras, podemos dizer que o Advento tem duas grandes motivações: a preparação para a festa do Natal, quando se celebra a primeira vinda de Jesus; e a espera da nova vinda de Cristo. O Advento também relembra a expectativa do antigo povo hebreu, que esperava a chegada do Salvador.

Nessa época, os católicos “arrumam a casa” (o espírito) para receber o principal convidado: Jesus. É um tempo de conversão, jejum, preces e de penitência, mas não se deve confundi-lo com a austeridade da Quaresma.

Características do Advento

Anunciação. Robert Campin (1375-1444).
Museus Reais de Belas Artes, Bruxelas, Bélgica.
Por ser uma época de preparação espiritual, a Igreja proclama muitos textos bíblicos que lembram profecias sobre a vinda de Jesus, a volta dele e as mensagens que tratam do começo de uma vida nova. Conheça outras particularidades do Advento:

O roxo: a cor litúrgica predominante nos paramentos. No terceiro domingo, chamado de Gaudete, palavra latina que significa “alegrai”, usa-se o cor-de-rosa (ou róseo), lembrando aos cristãos que o tempo de festa está se aproximando.

Coroa do Advento: esse ornamento é exposto nos templos logo no primeiro domingo do Advento. A coroa é feita com uma ramagem verde, representando a esperança e a vida. Um laço de fita vermelha significa o amor de Deus que envolve a humanidade e o amor das pessoas para com Jesus que vai nascer. Em cada domingo do Advento, acende-se uma vela até que, no último, todas iluminem a coroa. Não é obrigatório que cada uma das quatro velas tenha uma cor diferente.

Ausência do Hino de Louvor (Glória): como na Quaresma, no Advento não se canta o Hino de Louvor, entoado geralmente na primeira parte da missa. Isso simboliza o recolhimento das pessoas que preparam o espírito para receber Jesus. Na véspera do Natal (anoitecer de 24 de dezembro), esse hino volta a ser cantado com alegria. No entanto, nas solenidades que ocorrem durante o Advento, como a da Imaculada Conceição de Maria (8 de dezembro), o Hino de Louvor é cantado.

A novena: série de orações recitadas em nove dias pelo povo. Com cantos e leituras de textos bíblicos e orações, vários grupos fazem um balanço do ano que termina, lembram os desafios do cotidiano e rezam para receber dignamente o Menino Jesus, no Natal. Em cada região, há uma forma diferente de se organizar a novena de Natal. Procure saber como é na sua comunidade, no seu prédio, na sua empresa... Não é demais lembrar que a novena sempre deve terminar antes da solenidade do Natal.

Antífonas do Ó: do dia 17 ao dia 23, tempo conhecido por alguns como a “Semana Santa do Natal”, a Igreja canta ou reza na liturgia as célebres antífonas do Ó. O nome dessas orações se deve à exclamação que abre cada uma. São elas: 1º dia: O Sapientia (Ó Sabedoria); 2º dia: O Adonai (Ó Adonai – palavra de origem hebraica também usada para denominar Senhor); 3º dia: O Radix (Ó Raiz de Jessé); 4º dia: O Clavis (Ó Chave de Davi); 5º dia: O Oriens (Ó Sol do Oriente); 6º dia: O Rex gentium (Ó Rei das nações); 7º dia: O Emmanuel (Ó Emanuel – nome hebraico de Jesus).

Ano litúrgico e ano civil

A Páscoa é o centro da fé cristã e do calendário litúrgico.
Ressurreição de Jesus Cristo. Piero della Francesca (1420-1492).
Museu Cívico, Sansepolcro, Itália.
Em princípio, o ano litúrgico é independente do ano civil. Na Igreja, ele começa no Advento (quatro domingos antes do Natal) e termina solenemente do quinto domingo antes do Natal seguinte, nos festejos de Cristo Rei do Universo.

O ano civil é contado pelos 365 dias que a Terra gasta para girar em torno do Sol. Lembremos que o ano bissexto, com 366 dias, é só para acertar essa conta.

Muitas datas do ano litúrgico são marcadas pelo calendário lunar, como a Páscoa, a principal festa cristã e que celebra a Ressurreição de Jesus. Com base nela, são indicadas vários outros compromissos, como a Quaresma e as solenidades de Pentecostes, Corpus Christi, Santíssima Trindade e Sagrado Coração de Jesus. Não fica de fora nem a principal festa não sacra do Brasil: o carnaval. Recordemos que ele é um dia antes da Quarta-feira de Cinzas, a abertura da Quaresma.

O ano litúrgico também tem dois grandes núcleos: a Páscoa (indicada pelo calendário lunar) e o Natal, celebrado em 25 de dezembro (base no calendário solar).

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Em que os católicos acreditam: a ressurreição de Jesus

Procissão de Páscoa,
Ouro Preto-MG
Três dias depois após a execução de Cristo na cruz, os apóstolos testemunham Jesus vivo, em carne e osso. Se você acha isso estranho, imagine para aqueles homens que viram “ao vivo” esse fenômeno. Evidentemente isso é uma “verdade de fé” (o mesmo que “mistério”), e a lógica puramente humana não cabe nesse caso.

Esse grande mistério é o centro da fé cristã. São Paulo, em sua primeira carta à comunidade cristã de Corinto (Grécia), diz enfaticamente que, se um fiel não acredita nisso, ele está perdendo tempo:

Ora, se nós pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns de vocês dizem que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo também não ressuscitou; e se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia e também é vazia a fé que vocês têm. Se os mortos não ressuscitam, então somos testemunhas falsas de Deus, pois estamos testemunhando contra Deus, ao dizermos que Deus ressuscitou a Cristo. Pois, se os mortos não ressuscitam, Cristo também não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a fé que vocês têm é ilusória, e vocês ainda estão nos seus pecados. E, desse modo, aqueles que morreram em Cristo estão perdidos. Se a nossa esperança em Cristo é somente para esta vida, nós somos os mais infelizes de todos os homens. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos como primeiro fruto dos que morreram. De fato, já que a morte veio através de um homem [aqui, São Paulo se refere a Adão], também por um homem vem a ressurreição dos mortos (1ª Carta aos Coríntios, capítulo 15, versículos 12 a 21).

A ressurreição no dia a dia


A valorização da vida é fundamental na fé cristã. Assim, o fiel não defende atos que promovam a morte, seja ela física ou espiritual. Por isso a firmeza da Igreja em sua posição contra o aborto, a eutanásia, as drogas, a destruição da dignidade da pessoa e o extermínio da natureza, por exemplo.

Ressuscitar não é simplesmente um ato de voltar a viver. Esse é outro ensinamento para o cristão. O ocorrido com Jesus é uma mensagem dizendo que sempre há tempo para uma vida nova, para recomeçar, ressuscitar. Pela fé cristã, se alguém tem uma vida, digamos, desregrada, essa pessoa pode começar agora, neste minuto, uma história diferente, baseada no bem. É o que se pode chamar de conversão (não necessariamente a uma igreja específica) e, mais profundamente, de ressurreição.

A verdadeira morte


Você pode estar se perguntando sobre o que é a morte no olhar cristão. Vejamos: uma pessoa, para estar morta, não necessariamente precisa descer ao túmulo. Há vários vivos mortos, ou seja, estão vivos fisicamente, mas com o espírito escravizado pelas várias formas de egoísmo, pela falta de amor a si e ao outro, e até pela falta de consciência do próprio corpo, de viver plenamente as alegrias e dores do dia a dia. Mais do que tentar dar esclarecimentos, é bom fazer-nos uma pergunta: uma vida no mal já não seria o início da condenação eterna, da morte em si? Precisa ainda haver inferno?

A vida além-túmulo


Segundo a doutrina cristã, incontestavelmente, há vida após a morte. Por isso, quando um católico conversa com um santo, um parente já falecido, ele não está invocando os mortos, como pensam alguns, mas falando a uma pessoa considerada viva, que ressuscitou e está na eternidade.

Os católicos acreditam que, após sua morte física, ressuscitarão em espírito, para, depois, no Juízo Final, no chamado “último dia”, ressuscitar também em carne, como aconteceu com Cristo (e, conforme ensina a Igreja, foi antecipado a Maria, a mãe de Jesus).

O cristianismo e a reencarnação


A reencarnação não é aceita pela maioria das denominações cristãs. Um dos argumentos, entre tantos, é que Jesus Cristo venceu a morte para resgatar da morte física e espiritual, e de uma vez por todas, a humanidade. O cristão que aceita a ideia da reencarnação admite estar incompleta a salvação de Cristo, algo considerado uma contradição diante da própria fé.

Com base nesse conceito, quando um cristão morre, não é adequado dizer que o finado “desencarnou”. Esse termo é mais adequado a um adepto do espiritismo ou de outras religiões que pregam a reencarnação. Como já foi dito antes, praticamente todos os cristãos acreditam na ressurreição.

Rua de Ouro Preto-MG enfeitada para a
procissão do Domingo da Ressurreição

Domingo: o Dia do Senhor


A ressurreição de Jesus Cristo é tão importante para a crença católica que a principal festa da Igreja é a Páscoa, quando se celebra esse mistério. Toda a liturgia lembra a alegria, tanto na decoração dos altares quanto na animação do espírito de um fiel que tem alguma noção do significado dessa data.
A Páscoa de Cristo é comemorada a toda hora. O domingo, no entanto, é um dia privilegiado para essa celebração. Assim, para os católicos e fiéis de muitas outras igrejas cristãs, o domingo é o dia sagrado (o Dia do Senhor), o dia em que Jesus voltou à vida, segundo os evangelhos.

A liturgia dominical católica começa na tarde do sábado e vai até o fim do domingo. Essa configuração se baseia na forma como os judeus contavam as horas do dia, começando pelo entardecer da véspera e terminando no entardecer seguinte.

Procissão de Páscoa,
Ouro Preto-MG

Saiba mais



- Para aprofundar mais sobre o tema da ressurreição de Cristo, nada melhor do que consultar os próprios evangelhos, a principal fonte da fé cristã. Eis as indicações:
Evangelho de São Mateus, capítulo 28, versículos 1 a 8;
Evangelho de São Marcos, capítulo 16, versículos 1 a 9;
Evangelho de São Lucas, capítulo 24, versículos 1 a 12; e
Evangelho de São João, todo o capítulo 20.

- Compêndio do Catecismo da Igreja (números 112 a 131)