Mostrando postagens com marcador Bíblia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bíblia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Festa de muitos dias: conheça mais sobre o tempo do Natal

Antes entrar nos detalhes sobre as festividades natalinas, ou seja, a comemoração do nascimento de Jesus, é bom esclarecer um ponto importante: a principal festa cristã é a Páscoa, celebração da ressurreição de Jesus, e não o Natal (como quer o comércio e apregoam os menos informados).

Para compreender o nascimento de Jesus, é fundamental a consulta ao texto da Bíblia. Seja qual for a fé de quem lê as narrativas, não há como negar que os textos trazem, no mínimo, uma história cheia de ternura e de paz, dando bem o tom da essência do Natal. Transcrevo a seguir o trecho tirado do Evangelho de São Lucas, capítulo 2, versículos 1 a 20:

“Naqueles dias, o imperador Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento em todo o império. Esse primeiro recenseamento foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade natal. José era da família e descendência de Davi. Subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, até à cidade de Davi, chamada Belém, na Judeia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles dentro da casa.

Naquela região havia pastores, que passavam a noite nos campos, tomando conta do rebanho. Um anjo do Senhor apareceu aos pastores; a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo. Mas o anjo disse aos pastores: “Não tenham medo! Eu anuncio para vocês a Boa Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor. Isto lhes servirá de sinal: vocês encontrarão um recém-nascido, envolto em faixas e deitado na manjedoura”. De repente, juntou-se ao anjo uma grande multidão de anjos. Cantavam louvores a Deus, dizendo: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados”.

Quando os anjos se afastaram, voltando para o céu, os pastores combinaram entre si: “Vamos a Belém ver esse acontecimento que o Senhor nos revelou”. Foram então, às pressas, e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. Tendo-o visto, contaram o que o anjo lhes anunciara sobre o menino. E todos os que ouviam os pastores, ficaram maravilhados com aquilo que contavam. Maria, porém, conservava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração. Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que haviam visto e ouvido, conforme o anjo lhes tinha anunciado.”


Algumas observações

As passagens bíblicas sobre a vinda de Jesus não podem ser tratadas como informações históricas. Não nos esqueçamos de que a Bíblia é um livro de religião, e muitos dados têm valor profundamente espiritual e simbólico.

A presença dos pastores é algo notável. Esses trabalhadores eram pouco valorizados na sociedade da época. É interessante ver que são eles os primeiros do povo a saberem do nascimento do Menino-Deus.

O nome Belém significa “Casa do Pão”. Era uma pequena cidade, mas com uma simbologia muito forte. É a cidade de origem de Davi, um antecessor importantíssimo de José, o pai adotivo de Jesus. Segundo o Evangelho de São Mateus (2,5-6), o profeta Miqueias (5,1) também profetizou que Jesus nasceria nesse lugar.

Observe que Jesus nasce como um pobre, em uma manjedoura (em português claro, um “cocho” ou “comedouro”), e é enterrado como rico, na sepultura que havia sido feita para José de Arimateia, um discípulo influente (Mt 27,57-60). Isso poderia ser visto como um símbolo de que a mensagem de Cristo é para todos, independentemente da classe social.

A data

Antes de tudo, é bom dizer que não se sabe exatamente quando o Salvador nasceu. O dia 25 de dezembro é simbólico. Mas por quê? A resposta é simples. Os primeiros cristãos, sobretudo os de Roma, aproveitaram as comemorações de uma festa pagã criada no ano de 274 pelo imperador Lúcio Domício Aureliano em honra ao deus Midas. Essa divindade, de origem persa, era cultuada sob o título de “Sol Invicto”. A data também celebrava o solstício de inverno (23 de dezembro no Hemisfério Norte) que, depois da noite mais longa do ano, o Sol retomava aos poucos a dominar os dias. Os cidadãos romanos realizavam grandes festas, jogos e sacrifícios no templo dedicado a esse deus.

Pegando uma “carona” naquela festança, os cristãos podiam comemorar a vinda do Salvador sem chamar muito a atenção dos perseguidores. Afinal, não havia data melhor, já que, enquanto os romanos adoravam o deus Sol, os cristãos poderiam celebrar em relativa paz o nascimento de Jesus, a Luz do Mundo, segundo o Evangelho de São João (8,12). Também se baseavam na passagem do profeta Malaquias (3,20): “Para vocês que temem a Javé [como o povo hebreu se referia a Deus] brilhará o sol da justiça, que cura com seus raios”.

Em certos ritos cristãos orientais, como em vários lugares no Leste da Europa, o Natal é celebrado no dia 6 de janeiro. Na Igreja Católica Romana (seguida pela maioria dos cristãos brasileiros), essa data comemora a Epifania (chamada popularmente de “Dia de Reis”), ou seja, a manifestação de Jesus à humanidade, esta representada pelos Reis Magos.

Muitos dias de festa

Engana-se quem acha que o Natal é só de 24 para 25 de dezembro. Pela grandiosidade da festa, a data é lembrada de forma muito especial nos oito dias seguintes como se eles fossem o próprio dia 25. Esse período é chamado de “Oitava do Natal”.

O Tempo do Natal começa na tarde do dia 24 de dezembro e segue pelo intervalo compreendido por três domingos seguintes, até a festa do Batismo do Senhor. Estão incluídas nesse período a Festa da Sagrada Família (Jesus, Maria e José – geralmente celebrada no primeiro domingo após o Natal), a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (1º de janeiro) e a Epifania do Senhor (conhecida pelo povo como “Dia de Reis”), esta, no Brasil, festejada no domingo mais próximo do dia 6 de janeiro.

No período 2013-2014, portanto, o tempo do Natal começa no anoitecer de 24 de dezembro e vai até 12 de janeiro, inclusive. Depois disso, aí sim, é tempo de guardar os enfeites natalinos.

Outros “natais” na Igreja

Geralmente o dia dedicado aos santos lembra a data em que eles deixaram este mundo (para os católicos, o dia do nascimento para o céu). No entanto, a Igreja celebra apenas três nascimentos (para este mundo): além do aniversário de Jesus (25 de dezembro), a Igreja celebra outros dois (também chamados de natividades): a Natividade da Virgem Maria (8 de setembro) e a Natividade de São João Batista (24 de junho), esta exatamente seis meses antes do nascimento de Jesus.

Símbolos e personagens natalinos


Ainda hoje, são usados alguns símbolos da antiga festa romana. Outros foram incorporados ao longo do tempo, conforme se espalhava o cristianismo pelos povos. Assim, gestos e objetos de várias culturas ganharam um novo sentido a partir do contato com os cristãos. A presença de personagens, como pastores, anjos e Reis Magos, também deve ser interpretada como simbólica. Isso porque não há registros históricos precisos, e, conforme a cultura bíblica, às vezes, representam uma mensagem teológica.

- Cor branca
A cor dos paramentos litúrgicos é o branco, simbolizando a alegria e a festa.

- Árvore de Natal
A tradição de usar o pinheiro como árvore símbolo do Natal não é muito antiga. Alguns estudiosos dizem que esse hábito começou no início do século XX. O pinheiro tem um significado especial, já que, em países muito frios, essa é a única árvore que não perde as folhas e se mantém verde. É o símbolo da vida que sempre prevalece, mesmo em situações adversas. Para os cristãos, assim é Jesus: vida em qualquer lugar. É bom lembrar que esse é apenas um símbolo. Além de não ser obrigatório seu uso, outras espécies de árvore também podem ser enfeitadas para comemorar o nascimento de Jesus.

- Presépio
O presépio é um dos símbolos mais tocantes do Natal. A palavra significa “curral, estrebaria”. Segundo a tradição, o primeiro presépio foi montado por São Francisco de Assis, no Natal de 1223. A ideia desse famoso santo foi contemplar, de forma mais profunda, o mistério da vinda de Cristo. O presépio é montado alguns dias antes do Natal, mas a imagem do Menino Jesus costuma ser colocada na Vigília do Natal, na noite do dia 24 para 25 de dezembro. O presépio é um dos símbolos natalinos mais dignos e bonitos entre os católicos. O Papa Bento XVI, inclusive, convidou os fiéis a revigorarem o hábito de montar presépios. A cena do nascimento de Cristo costuma ganhar traços da cultura de cada local. Vale a pena visitá-los.

- Estrela de Natal
Os evangelhos narram que o nascimento de Jesus foi indicado por uma estrela. Alguns magos (que não necessariamente quer dizer “bruxos”), guiados pela luz daquele corpo celeste, saíram do Oriente e foram ao encontro de Jesus, em Belém. Normalmente, a estrela natalina é representada com quatro pontas, simbolizando as direções norte, sul, leste e oeste. Ela pode ser vista também com uma grande cauda, parecida com um cometa. Alguns registros encontrados em países orientais indicam que uma estrela, uma rara conjunção de planetas ou mesmo um cometa destacou-se no céu na mesma época à qual se atribui o nascimento de Cristo (ano 6 d. C.). Nunca é demais lembrar que a estrela-guia pode também ter aspecto mais espiritual do que científico.

- Reis Magos
Essas figuras despertam a curiosidade de muitos cristãos ao longo do tempo. A visita dos reis magos ao Menino Jesus é narrada somente no Evangelho de São Mateus (2,1-12). A Bíblia não chama esses personagens de reis, mas somente de magos, ou seja, sábios. A presença dessas pessoas em Israel não era tão rara assim. Muitos iam lá para conhecer a religião praticada naquelas terras. No caso dos chamados Reis Magos, não há informações precisas de quantos e nem de quando visitaram Jesus. A tradição diz que foram três: Gaspar, Melquior (ou Belquior) e Baltazar, representando os reinos da Síria, Pérsia e Etiópia (importantíssimos naquela época). No caso dos presentes, o Evangelho é mais preciso. O texto diz que o Menino Jesus recebeu três: ouro (representando a realeza de Cristo), incenso (representando a divindade) e mirra (a condição humana, já que esse produto é usado como perfume e na preparação de cadáveres para sepultamento). No início de janeiro, na festa da Epifania (manifestação), a Igreja revive a manifestação de Jesus aos magos, que simbolizam toda a humanidade. Em diversos países, inclusive na América Latina, as crianças esperam ansiosas pelos presentes dados pelos Reis Magos e não pelo Papai Noel.

- As velas
Geralmente a vela simboliza a fé em Jesus vivo. Para os cristãos, Cristo dá um novo brilho à vida, da mesma forma que a chama da vela clareia a escuridão. O Natal também é tempo recomeçar.

- Sinos
Os sinos de um templo têm a função de comunicar um acontecimento (como uma missa que vai começar) e também demonstrar alegria. Por isso, os sinos são símbolos do Natal. Sinal da alegria e do anúncio de que o mundo não deve ser o mesmo depois da vinda de Jesus.

- Bolas coloridas
O hábito de se enfeitar a árvore de Natal com bolas coloridas tem várias explicações. Acredita-se que esse costume veio da Escandinávia, como herança de antigas crenças, adaptadas pelos fiéis à cultura cristã. Outra versão diz que as bolas coloridas representam Jesus, a árvore vistosa que dá bons frutos, ou seja, dignos cristãos (veja o Evangelho de Mateus 7,17-20).

- A ceia
A tão badalada ceia de Natal não é (ou, pelo menos, não deveria ser) uma refeição comum. E não é por causa das guloseimas, mas pelo motivo que ela celebra. Em quase todas as religiões, a refeição é um momento especial. No cristianismo, isso não é diferente. A ceia de Natal remete-se à Santa Ceia, quando Jesus Cristo instituiu a Eucaristia. Jesus se autodenomina o “Pão vivo descido do Céu” (João 6,48-51), por isso a ceia é bem mais do que apreciar bebidas e comidas. A refeição festiva é um ato tão importante que Jesus comparou o Reino de Deus a um banquete (Mateus 22,1-14 e Lucas 14,15-24). Já deu para notar que a sofisticação dos pratos tem pouquíssima importância em uma ceia de Natal. O que vale é o clima de oração e, sobretudo, de alegria e partilha. Assim é que os cristãos, muitas vezes, remetem-se à vida eterna, que é comparada a um banquete festivo e sem fim.

- Presentes
Apesar de ter sido desvirtuado pela febre consumista, o ato de dar presentes no Natal tem uma simbologia interessante. Para os cristãos, os agrados representam Jesus, o maior presente que a humanidade já ganhou. Também quer dizer que todos também devem ser como presentes para o próximo, ou seja, representar a alegria, a boa surpresa, a doação. Na antiga Roma, para comemorar o deus Saturno, os senhores davam presentes aos seus escravos e ceavam juntos com eles. A troca de presentes pode ter origem nesse costume. Outra tradição conta que os presentes são uma referência às ofertas dadas pelos Reis Magos ao Menino Jesus (veja acima). O Evangelho de São Mateus (2,11) traz a passagem em que os sábios vindos do Oriente dão ouro, incenso e mirra ao Menino-Deus. Mesmo sendo um delicioso hábito, o ato de presentear em si não é tão importante para o real sentido do Natal. O verdadeiro olhar cristão reconhece que o maior presente é aquele dado por Deus todos os dias: a chance de recomeçar, de viver, de fazer o bem. Em alguns países, a troca de presentes não é feita necessariamente no dia do Natal. Isso pode acontecer no dia de São Nicolau (6 de dezembro) ou no dia 6 de janeiro, quando se celebra a festa da Epifania no Ocidente ou o próprio Natal (nos países de tradição ortodoxa).

- Papai Noel
Na verdade, esse personagem como o conhecemos hoje é um símbolo mais recente do Natal. A figura atual tem poucas conotações religiosas, já que a voracidade comercial transformou o “Bom Velhinho” em um garoto-propaganda tão requisitado que muitos se esquecem do próprio aniversariante: Jesus. Ele tem origem na pessoa de São Nicolau, um bispo do século IV, lembrado pela bondade e muito popular na Europa. Na Alemanha é chamado de Nikolaus e, nos países anglo-saxões, de São Claus. Suas vestes vermelhas como aparecem hoje foram idealizadas por publicitários estadunidenses, no século XIX. Antes, essa figura era representada com trajes de um bispo. Em tempo, a palavra “Noël” vem do francês e significa Natal. Em Portugal, o personagem é chamado de Papai Natal. Não é demais lembrar: o Natal não é a festa do Papai Noel e sim do nascimento de Jesus Cristo, a quem se devem todas as homenagens.

Para saber mais

Sugiro a consulta aos números 422 a 565 do Catecismo da Igreja Católica. Veja também os número 79 a 105 do Compêndio do Catecismo.

Veja também

Natal, festa de luz



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Natal, festa da luz

Presépio do Pipiripau (detalhe). Raimundo Machado de Azevedo (1894-1988).
Museu de História Natural e Jardim Botânico, Belo Horizonte-MG

Wiliam Gonçalves*
Aproximamo-nos da solenidade do Natal do Senhor, quando a Igreja celebra a manifestação do Verbo Divino entre os homens. O costume de oferecer presentes uns aos outros pode nos fazer esquecer que o maior presente, e o mais significativo, foi o próprio Deus quem deu: seu Filho se fez nosso irmão.

Pensar um pouco sobre o surgimento da festa do Natal não será supérfluo. O Jesus Cristo da fé é o mesmo da História. A fé cristã está baseada em fatos. Mas é fato que o nascimento de Jesus não se deu há exatos 2013 anos. E o dia 25 de dezembro não é a data histórica em que Maria deu à luz aquele que é a “luz do mundo” (Jo 8,12).

Segundo os estudiosos, Jesus nasceu uns cinco anos, mais ou menos, antes de Cristo. Pode parecer confuso à primeira vista, mas é isto mesmo: Jesus Cristo nasceu antes do início da era cristã. Todavia, a aparente contradição se explica facilmente. Foi só no século VI que se começou a contar os tempos a partir do nascimento de Jesus. Um monge, chamado Dionísio Exíguo, foi quem propôs que o calendário dos cristãos deveria começar com o fato mais relevante da História: o nascimento do Salvador.

Dionísio fez os cálculos e  fixou o ano 753 do calendário romano como o ano 1 do nosso calendário. Mas suas contas estavam erradas. Seu erro, entretanto, nunca foi corrigido. Como o fato mais importante, o nascimento de Nosso Senhor, é um dado histórico inquestionável, não era mesmo necessário corrigir o erro de Dionísio. Além disso, a revolução provocada por Jesus, de fato, divide as eras. Seu nascimento marca a “plenitude do tempo”, quando “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos recebermos a dignidade de filhos” (Gl 4,4).

Por volta do ano 350, o 25 de dezembro já havia sido escolhido para a celebração do nascimento de Jesus Cristo no Ocidente. No entanto, os cristãos primitivos não conheciam essa celebração. Como dito acima, a data não é o dia histórico em que Jesus nasceu. Na verdade, não é possível determinar com precisão esse dia. Desde o tempo dos apóstolos, a ressurreição foi celebrada semanalmente. Mas não houve interesse, entre os primeiros cristãos, por uma comemoração do nascimento de Cristo.

A hipótese mais aceita pelos pesquisadores para a escolha da data de 25 de dezembro como dia do nascimento de Jesus é a que afirma que a Igreja cristianizou  uma festa que os pagãos já celebravam. Os romanos, nesse dia, comemoravam o Sol Invictus, que renasce sempre e vence as trevas. A fim de prevenir os cristãos contra a força de atração de um festival pagão, a Igreja teria contraposto a festa do nascimento de Cristo na mesma data. E, para tal, pôde buscar justificativa na própria Sagrada Escritura.

O último livro profético do Antigo Testamento diz: “Para vós que tendes o meu temor, o sol da justiça há de nascer, trazendo o alívio em suas asas” (Ml 3,20). O título “sol da justiça” foi, desde o início, aplicado ao Messias. No quarto evangelho, está escrito que Jesus é “a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, a todos ilumina” (Jo 1,9). O próprio Senhor afirmou: “Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12,46).

O Natal é, assim, uma festa ligada ao simbolismo da luz desde sua origem. Foi uma estrela que guiou os magos a Belém. Um dos cânticos do evangelho segundo Lucas, falando daquele de quem João Batista foi o precursor,  afirma: “Graças ao misericordioso coração do nosso Deus, o Sol que nasce do alto nos visitará, para iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte; para guiar nossos passos no caminho da paz” (Lc 1,78s).

Um santo e luminoso Natal para todos. Deus seja louvado!


* Professor, licenciado em Filosofia.





domingo, 15 de setembro de 2013

A Bíblia: quem a escreveu e quando

Versão de 1590 da Vulgata
A Bíblia foi escrita aos poucos, por diversas pessoas, geralmente registrando tradições orais. Pode-se dizer que o autor do Livro Sagrado é o próprio povo. Uma comunidade que viveu e transmitiu as experiências de relação com Deus, com base em fatos do cotidiano.

Alguns estudiosos acreditam que a Bíblia começou a ser elaborada a partir do século IX antes de Cristo e foi concluída no final do século I. É interessante observar que a disposição de muitos livros bíblicos não é necessariamente ordenada cronologicamente. Alguns, como os proféticos, por exemplo, são dispostos de acordo com a extensão do texto.

Os idiomas originais


Os textos bíblicos originais foram escritos em hebraico, aramaico e grego. A maior parte do Primeiro Testamento (conhecido também como Antigo Testamento) foi redigida em hebraico, língua oficial do povo israelita. Alguns livros do Primeiro e todo o Segundo Testamento (chamado também de Novo Testamento) foram registrados em grego. Trechos dos livros de Esdras e Daniel foram grafados em aramaico.

Por volta do século III a.C., o texto judaico foi todo traduzido para o grego. O objetivo era atender principalmente aos vários judeus espalhados pelo mundo conhecido da época e que só falavam a língua helênica. Uma antiga história conta que esse trabalho de tradução foi feito por 70 sábios, por isso ele é conhecido como Versão dos Setenta.

A partir do século II d.C., os seguidores de Jesus começaram a passar o texto sagrado para o latim, a chamada “Vetus latina” (a antiga tradução do latim). Essa versão não é unânime entre os estudiosos, pois foram encontradas quase 30 variações do texto. Muitos dizem que esse formato surgiu apenas para suprir a falta do texto sagrado em determinadas comunidades.

Mais tarde, no século IV, São Jerônimo fez uma nova tradução para o latim, mas, desta vez, partiu do texto em língua hebraica para o Primeiro Testamento e o de uma versão da “Vetus latina” para o Segundo Testamento. Esse trabalho ganhou o nome de “Vulgata”. Ainda nos primeiros séculos do cristianismo, a Bíblia ganhou versões para outros idiomas também importantes na época, como o siríaco, árabe, etíope, copta e armênio. Hoje é considerado o “livro” (na verdade, uma coletânea de livros) mais vendido e traduzido em todo o mundo.

Patrono dos tradutores

São Jerônimo. Caravaggio (1573-1610)

São Jerônimo é o padroeiro dos tradutores. Conta-se que o santo tinha um temperamento difícil e uma palavra feroz, mas era muito dedicado à meditação, estudo e tradução das Escrituras. Foi graças a ele que o mundo ocidental pôde apreciar melhor a Bíblia. A Igreja comemora São Jerônimo no dia 30 de setembro, fechando justamente o mês dedicado ao Livro Sagrado.

O trabalho de tradução da Bíblia para as línguas modernas é muito minucioso, pois cada idioma carrega em si traços culturais bem típicos do povo que o fala. No caso da cultura hebraica, muito antiga e diferente da nossa, alguns termos precisam ser bem entendidos para que a mensagem não fique deturpada, levando ao fundamentalismo. É preciso sempre pesquisar em fontes seguras para saber o que realmente as passagens querem transmitir.

Saiba mais


- Compêndio do Catecismo

- BAZAGLIA, Paulo. Primeiros passos com a Bíblia. São Paulo: Paulus, 2004.


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Surpreenda-se: o que dizem os números na Bíblia

"Fui ao concerto e havia 'meia dúzia' de pessoas." Assim nós nos expressamos em português para indicar que poucos (e não necessariamente seis) assistiram à apresentação. Como em nossa cultura, na Bíblia, muitos numerais têm significados curiosos. No texto sagrado, nem sempre os números (e seus múltiplos) se traduzem em quantidades. Vejamos o que significam alguns deles:

2 - Algo em dobro ou de sobra.

3 - Ênfase.

4 - Totalidade.

7 - Perfeição, grande quantidade, término de uma série.

10 - Grande quantidade, arredondamento de números, números completos.

12 - Resultado da multiplicação de 3 e 4. Significa que é um número mais do que completo.

40 - Grande quantidade ou tempo necessário para executar uma tarefa.

666 - Se o número 7 significa perfeição, o número 6 não pode ser considerado perfeito. O número 3 indica ênfase, por isso, o 6 grafado três vezes indica que uma coisa é enfaticamente imperfeita. É o caso, por exemplo, da “Besta do Apocalipse” (Apocalipse, capítulo 13, versículo 18), que a maioria dos teólogos dizem referir-se a Nero, perseguidor dos cristãos.

Saiba mais


- Conheça outros símbolos e expressões da Bíblia.

- BAZAGLIA, Paulo. Primeiros passos com a Bíblia. São Paulo: Paulus, 2004.

- Cebi (Centro de Estudos Bíblicos)

- GRUEN, Wolfgang. Pequeno vocabulário da Bíblia. 12. ed. São Paulo: Paulus, 2000.


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Artigo: "Setembro, Mês da Bíblia"


Wiliam Gonçalves*

Setembro foi escolhido como o Mês da Bíblia porque, no dia 30, a Igreja celebra a memória litúrgica de São Jerônimo, o padroeiro dos estudos bíblicos. Esse presbítero e doutor da Igreja nasceu aproximadamente no ano 350 e morreu em 420. Deixou uma grande obra, constituída principalmente de comentários à Sagrada Escritura. Mas sua principal produção literária foi a tradução latina da Bíblia, chamada Vulgata, que se tornou o texto oficial da Igreja Católica. Curioso é que a palavra “vulgata” é da mesma raiz do verbo que, em latim, significa “divulgar, espalhar, fazer comum”. São Jerônimo desejava que a Bíblia fosse do “vulgo”, da classe popular da sociedade.

Os católicos cremos que a Bíblia é o registro escrito da palavra de Deus dirigida aos homens. Ela é, por antonomásia, a Sagrada Escritura. O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, em sua questão 18, ensina que “o Espírito Santo inspirou os autores humanos, que escreveram o que ele quis nos ensinar. A fé cristã, todavia, não é uma religião do Livro, mas da Palavra de Deus, que não é uma palavra escrita e muda, mas o Verbo encarnado e vivo”.

Sendo um livro religioso, não procuramos na Sagrada Escritura certezas que não sejam religiosas. Se tentássemos harmonizar os primeiros capítulos do Gênesis com o que se sabe da Pré-história da humanidade ou entender ao pé da letra como pôde o Sol parar a mando de Josué (Js 10,12-14), estaríamos envolvidos por insolúveis e absurdos problemas. Isso porque a Bíblia foi escrita para instrução e edificação da fé, não para servir de manual de ciências naturais.

Importantíssimo para uma boa leitura da Bíblia é descobrir a real intenção dos seus autores e os variados gêneros literários em que ela foi escrita. Tomar qualquer texto bíblico em sentido diferente do que lhe quis dar o escritor sagrado é sempre incorrer em erro e chegar a conclusões indevidas. A veracidade de cada passagem da Bíblia se depreende do seu respectivo gênero literário. Ater-se a estas coisas pode parecer difícil, mas não é. Basta que se leia a Bíblia como a Igreja quer que seja lida: em comunidade. Leituras individuais e solitárias da Escritura serão sempre um perigo. A mensagem de Deus é para seu povo, e é como povo, os pastores e as ovelhas, que a compreendemos devidamente.

Javé é o Deus que gosta de nos presentear. Na primeira página da Bíblia, diz-se que Ele plantou um jardim e ali pôs o homem que havia formado. Jardim cheio de flores, com certeza, era aquele. E setembro é o mês em que as flores desabrocham, e a Igreja nos vem falar da Sagrada Escritura, um jardim com 73 lindas flores. Tudo isso são outros presentes que Ele nos fez. Deus seja louvado!


* Professor, licenciado em Filosofia.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Conheça o significado de algumas expressões da Bíblia

A Bíblia não deve ser lida ao pé da letra. Por ela ter sido escrita em um contexto histórico, geográfico e cultural diferente do nosso, há muitas marcas que podem fazer os textos soarem estranhos para nós. Há risco, inclusive, de uma mensagem ser totalmente deturpada, como acontece muitas vezes, por exemplo, com o Apocalipse, que tem uma riquíssima simbologia para encorajar os cristãos, mas acaba sendo entendido por muitos como um livro de catástrofes. Vejamos alguns símbolos e expressões da Bíblia:

Água: simboliza purificação, vida, fertilidade.

Alma:
“Minha alma” = eu; “sua alma” = você; e assim por diante.

Ancião: no Segundo Testamento, os chamados anciãos são os coordenadores das comunidades religiosas. A partir do grego, a palavra chegou até nós como “presbítero” (velho, idoso, mas também usada como título de respeito). Esse termo tem tom mais honroso do que propriamente uma indicação de idade.

Anjo: mensageiro, mas essa palavra também lembra o termo “Deus” ou “Criador”.

Apocalipse: palavra do grego que significa “revelação, manifestação, esclarecimento”. O estilo apocalíptico é cheio de símbolos, muito usado na cultura oriental para explicar algo que ninguém consegue esclarecer plenamente. Nos evangelhos, há algumas partes em que Jesus usa esse tipo de linguagem. Veja, por exemplo, o capítulo 24 do Evangelho de São Mateus.

Babilônia: muitas vezes, termo usado como símbolo do opressor, do inimigo.

Carne: o corpo humano ou dos animais. Também representa a fraqueza humana ou indica que alguém é parente.

Casa: morada, família, sociedade.

Céu: morada simbólica de Deus.

Chifre: símbolo de poder e força.

Cinzas: brevidade da vida, dor, luto e penitência.

Colheita: símbolo de alegria, do juízo divino, prestação de contas.

Coração: consciência, intenção, íntimo de uma pessoa.

Demônio: representa a inimizade com Deus. Por várias vezes, Jesus expulsa os demônios, simbolizando que Deus está no meio dos homens. Representa também doenças, impureza ou outros males.

Deserto: solidão, carestia. Pode também designar purificação, silêncio, lugar de reflexão e encontro com Deus.

Diácono: aquele que é servidor.

Discípulo: seguidor, aprendiz.

Espinho: símbolo da inutilidade, aquilo que não dá fruto.

Espírito: vento, hálito, sopro vital, brisa.

Face: intimidade, individualidade de cada pessoa.

Fenômenos da natureza: terremotos, tempestades, trovões, raios, ventanias são indicações bíblicas de que Deus se manifesta em alguma situação.

Fogo: simboliza a presença de Deus, castigo, purificação e amor.

Irmão: além do filho dos mesmos pais, indica parentes próximos (sobrinho, tio, cunhado, primo) ou membro de um mesmo grupo (colega ou conterrâneo, por exemplo).

Lâmpada: vigilância, presença de Deus. A “lâmpada que não se apaga” também representa uma descendência de muitos anos.

Lepra: qualquer doença de pele (curáveis ou não), mofo e mancha em uma superfície. Segundo o teólogo Wolfang Gruen, essa palavra deveria ser substituída nas traduções bíblicas por outras mais adequadas.

Óleo: representa força e santidade.

Pastor: líder político e religioso. Em Israel, no entanto, os pastores (camponeses) eram marginalizados pela sociedade. Como “ironia divina”, esses trabalhadores foram os primeiros homens a saberem do nascimento de Jesus (veja o capítulo 2 do Evangelho de Lucas). O Cristo também se autodenominou “o Bom Pastor” (Evangelho de João, capítulo 10, versículos 11 a 15).

Pedra: solidez, invencibilidade, firmeza.

Perfume: símbolo da alegria. Esse também é, até hoje, o sentido do incenso, que representa o doce aroma das orações que sobem a Deus.

Profeta:
pessoa que, corajosamente, denuncia as injustiças e anuncia a mensagem de Deus. Ainda hoje existem esses corajosos homens e mulheres. Todos os batizados, no entanto, são chamados a ser profetas.

Ressurreição:
recomeço, vida nova, uma nova chance. É um dos principais alicerces da fé cristã.

Rins: para a antiga cultura hebraica, é o lugar dos sentimentos profundos.

Sangue: símbolo da vida dada por Deus.

Satanás: o adversário, o que prova a fé do homem. É bom observar que o uso desse termo é principalmente simbólico.

Selo: símbolo de que algo pertence a alguém.

Testamento: o mesmo que pacto, acordo.

Vinho: na Bíblia, simboliza principalmente a alegria.

Saiba mais


- Quem desejar aprofundar-se nos símbolos bíblicos, é interessante pesquisar em livros especializados. Há dicionários e livros que tratam desse tema. Para consultas rápidas, recomendo o bem elaborado “Pequeno vocabulário da Bíblia”, do salesiano padre Wolfgang Gruen (Editora Paulus).

- A Igreja mantém em sua liturgia muitos símbolos e gestos semelhantes aos da Bíblia.

- Conheça o significado dos números na Bíblia.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Saiba como fazer citações da Bíblia

Por existirem diferentes traduções, é quase impossível citar a Bíblia da mesma maneira que se faz com outros livros, ou seja, pela página. Para facilitar esse processo, o texto foi dividido em capítulos e em versículos (= pequenos versos). Cada livro é citado com uma abreviatura (veja lista mais abaixo).

Vamos saber como são as regras para fazer referência a textos bíblicos. Veja os exemplos:

- Is 7 - todo o capítulo 7 do livro de Isaías.

- Is 7,13 - Isaías, capítulo 7, versículo 13. Note que a referência de capítulo e versículo é separada por vírgula.

- Is 7,13-15 - Isaías, capítulo 7, versículos 13 a 15. Para indicar versículo contínuos, usa-se um hífen.

- Is 7,14.16 - Isaías, capítulo 7, versículos 14 e 16. Ao citar versículos que não estão em sequência, basta colocar um ponto entre os números.

- Lc 1-3 - capítulo 1 a 3 do Evangelho de São Lucas. No caso de capítulos em sequência, também se usa hífen.

- Lc 2.5.8 - Evangelho de São Lucas, capítulos 2, 5 e 8.

- Jo 13,37; 14,1; 15,5 - Evangelho de São João, capítulo 13, versículo 37; capítulo 14, versículo 1; capítulo 15, versículo 5. Note que, em citações de versículos de diversos capítulos, usa-se o ponto e vírgula.

- Mc 2,27-3,5 - versículo 27 do capítulo 2 até o versículo 5 do capítulo 3 do Evangelho de São Marcos.

Lista de abreviatura dos livros (ordenada alfabeticamente)

(Ab) Abdias
(Ag) Ageu
(Am) Amós
(Ap) Apocalipse (ou Revelação)
(At) Atos dos Apóstolos
(Br) Baruc
(Cl) Carta aos Colossenses
(1Cor) Primeira Carta aos Coríntios
(2Cor) Segunda Carta aos Coríntios
(1Cr) Primeiro Livro das Crônicas
(2Cr) Segundo Livro das Crônicas
(Ct) Cântico dos Cânticos (ou Cantares, ou Cânticos de Salomão)
(Dn) Daniel
(Dt) Deuteronômio
(Ecl) Eclesiastes (ou Coélet)
(Eclo) Eclesiástico (ou Sirácida)
(Ef) Carta aos Efésios
(Esd) Esdras
(Est) Ester
(Ex) Êxodo
(Ez) Ezequiel
(Fl) Carta aos Filipenses
(Fm) Carta a Filêmon
(Gl) Carta aos Gálatas
(Gn) Gênesis
(Hab) Habacuc
(Hb) Carta aos Hebreus
(Is) Isaías
(Jd) Carta de São Judas
(Jl) Joel
(Jn) Jonas
(Jó) Jó
(Jo) Evangelho segundo São João
(1Jo) Primeira Carta de São João
(2Jo) Segunda Carta de São João
(3Jo) Terceira Carta de São João
(Jr) Jeremias
(Js) Josué
(Jt) Judite
(Jz) Juízes
(Lc) Evangelho segundo São Lucas
(Lm) Lamentações
(Lv) Levítico
(Mc) Evangelho segundo São Marcos
(1Mc) Primeiro Livro dos Macabeus
(2Mc) Segundo Livro dos Macabeus
(Ml) Malaquias
(Mq) Miqueias
(Mt) Evangelho segundo São Mateus
(Na) Naum
(Ne) Neemias
(Nm) Números
(Os) Oseias
(1Pd) Primeira Carta de São Pedro
(2Pd) Segunda Carta de São Pedro
(Pr) Provérbios
(Rm) Carta aos Romanos
(1Rs) Primeiro Livro dos Reis
(2Rs) Segundo Livro dos Reis
(Rt) Rute
(Sb) Sabedoria
(Sf) Sofonias
(Sl) Salmos
(1Sm) Primeiro Livro de Samuel
(2Sm) Segundo Livro de Samuel
(Tb) Tobias
(Tg) Carta de São Tiago
(1Tm) Primeira Carta a Timóteo
(2Tm) Segunda Carta a Timóteo
(1Ts) Primeira Carta aos Tessalonicenses
(2Ts) Segunda Carta aos Tessalonicenses
(Tt) Carta a Tito
(Zc) Zacarias

Normalmente as edições da Bíblia também trazem as regras dessas citações. Em “A Igreja quase sem mistério”, as citações estão sendo feitas por extenso, para facilitar a vida dos que não têm intimidade com as Sagradas Escrituras.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Bíblia: conheça os livros do Antigo Testamento

Profeta Isaías. Aleijadinho (1738?-1814).
Santuário de Bom Jesus de Matosinhos,
Congonhas-MG
A Bíblia adotada pela Igreja Católica tem 73 livros, sendo 46 no Primeiro Testamento (também chamado de Antigo Testamento, entendido como pacto ou aliança antes da vinda de Cristo) e 27 no Segundo Testamento (ou Novo Testamento, novo pacto ou aliança a partir de Cristo).

O também chamado de Antigo Testamento conta a história do povo de Israel desde o mito da criação até a expectativa pela vinda do Messias. Conheça um pouco dos livros do Primeiro Testamento.

O Pentateuco (a Lei)

- Gênesis (Gn)
A criação do mundo, do homem e o início da história do Povo de Deus. É um interessante ponto de interseção entre as três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo.

- Êxodo (Ex)
A saída dos hebreus do Egito em busca da chamada “Terra Prometida”.

- Levítico (Lv)
A formação espiritual do povo hebreu. Traz uma série de normas para o culto e a organização social. O nome se remete aos membros da tribo de Levi, que tinham a função do culto em Israel.

- Números (Nm)

Conta a história do caminho dos hebreus para a “Terra Prometida”.

- Deuteronômio (Dt)

Organização espiritual e até administrativa da sociedade que já se encontrava na “Terra Prometida”.


Os livros históricos

- Josué (Js)
Fala do significado da conquista e da partilha da “Terra Prometida” pelas doze tribos de Israel.

- Juízes (Jz)
Conta a saga das doze tribos de Israel.

- Rute (Rt)
Pela história de Rute, o livro fala dos sofredores que lutam por seus direitos e da amplitude da graça de Deus.

- Primeiro Livro de Samuel (1Sm)
- Segundo Livro de Samuel (2Sm)

Ambos analisam a monarquia em Israel e a autoridade em geral.

- Primeiro Livro dos Reis (1Rs)
- Segundo Livro dos Reis (2Rs)

Os dois livros fazem uma reflexão crítica sobre a história do povo hebreu e dos reis que o governavam.

- Primeiro Livro das Crônicas (1Cr)
- Segundo Livro das Crônicas (2Cr)

Esses livros apresentam uma revisão da história do povo hebreu.

- Esdras (Esd)
- Neemias (Ne)

Os dois livros contam como foi a reorganização da sociedade hebreia depois que os judeus voltam do traumático exílio na Babilônia (583 a 538 a.C.).

- Tobias (Tb)
O homem é sempre acompanhado e protegido por Deus. Nele aparece a figura do arcanjo Rafael. O romance é considerado um clássico da literatura.

- Judite (Jt)
Esse livro mostra como Deus é aliado dos que buscam a liberdade e a vida.

- Ester (Est)
Fala do poder que promove a justiça.

- Primeiro Livro dos Macabeus (1Mc)
No domínio estrangeiro, os judeus lutam pela preservação de suas cultura e fé.

- Segundo Livro dos Macabeus (2Mc)
Mostra a importância da fé diante de um contexto de opressão.


Os livros sapienciais e poéticos

- Jó (Jó)
Com beleza, conta a história de Jó, um homem que perde tudo, mas que mantém a fé em Deus. É considerado um clássico da literatura universal.

- Salmos (Sl)
Tido como o centro do Primeiro Testamento. Cento e cinquenta orações (cânticos) com mensagens para todos os momentos da vida.

- Provérbios (Pr)
Coletânea de pensamentos sobre o cotidiano do antigo povo de Israel. Muitos se aplicam bem à atualidade.

- Eclesiastes (ou Coélet) (Ecl)
Sua mensagem principal diz que vale a pena viver.

- Cântico dos Cânticos (ou Cantares, ou Cânticos de Salomão) (Ct)
Coletânea de cantos de amor, tanto o humano quanto o divino. Um clássico, no mínimo, curioso. Teólogos cristãos afirmam que esse livro representa o amor de Cristo (o noivo) e a Igreja (a noiva).

- Sabedoria (Sb)
Este é o último livro do Antigo Testamento a ser escrito. Retoma a experiência cultural e de fé do povo hebreu.

- Eclesiástico (ou Sirácida) (Eclo)
A importância da preservação da identidade cultural e religiosa do povo israelita.

Detalhe dos Doze Profetas. Aleijadinho (1738?-1814).
Santuário de Bom Jesus de Matosinhos,
Congonhas-MG

Os livros proféticos

- Isaías (Is)
Uma grande obra profética. Fala, entre outras coisas, da grandeza e santidade de Deus. Vários trechos são ligados à história de Jesus. É um dos livros mais importantes do Primeiro Testamento (e o mais extenso).

- Jeremias (Jr)
A ação de Jeremias, um grande profeta que denuncia as injustiças de seu tempo e convoca o povo para uma nova vida.

- Lamentações (Lm)
Livro de cantos fúnebres que falam da destruição de Jerusalém pelos babilônios e o desenrolar desse fato. Também lembra que Deus não abandona seu povo.

- Baruc (Br)
Procura conservar o sentimento religioso dos israelitas dispersos por todo o mundo depois da queda de Jerusalém (587 a 586 a.C.).

- Ezequiel (Ez)
Convoca os israelitas para a conversão e prepara esse povo para um tempo novo.

- Daniel (Dn)
Busca dar esperança ao povo de Deus e, ao mesmo tempo, dá ânimo na luta contra os opressores.

- Oseias (Os)
Vítima de uma desilusão amorosa, Oseias anuncia o amor sempre fiel de Deus e chama de “prostituição” a infidelidade do povo e dos governantes.

- Joel (Jl)
Fala de penitência, julgamento divino e da vitória final do Reino de Deus.

- Amós (Am)
Com uma voz firme e sincera, esse profeta denuncia as injustiças de seu tempo. O objetivo, no entanto, é dar uma mensagem de esperança.

- Abdias (Ab)
Denuncia a falta de solidariedade de aliados de Israel diante do opressor, mas evoca a misericórdia.

- Jonas (Jn)
O profeta que “foi engolido e cuspido pelo peixe” celebra a conversão inclusive daqueles que antes eram inimigos de Deus e dos israelitas.

- Miqueias (Mq)
Denuncia as injustiças sociais, prevê a destruição de Jerusalém e anuncia que o Messias (Jesus) nascerá em Belém.

- Naum (Na)
Fala da queda da Assíria (612 a.C.), opressora de Israel, e adverte que os grandes poderes do mundo não são eternos.

- Habacuc (Hab)
Dá força aos oprimidos e lembra que a justiça pode transformar a sociedade.

- Sofonias (Sf)
Para esse profeta, somente os que não se entregaram ao dinheiro e poder é que poderão resgatar a história do povo de Deus.

- Ageu (Ag)
Procura encorajar e animar para a reestruturação o povo israelita que volta do exílio da Babilônia.

- Zacarias (Zc)
Como Ageu, esse profeta anima o povo de Israel e anuncia o aparecimento do Messias, que será rei, bom pastor, mas “transpassado”.

- Malaquias (Ml)
Chama o povo para a prática de uma espiritualidade sincera e concreta. Lembra também que Deus não se esquece dos que praticam a justiça.

Veja também


- Conheça os livros do Novo Testamento



Bíblia: conheça os livros do Novo Testamento


Dos 73 livros da Bíblia, 27 são do Segundo Testamento (ou Novo Testamento). Essa parte apresenta a mensagem de Jesus e os primeiros passos da Igreja.

Santa Ceia. Mestre Athayde (1828). Colégio do Caraça, Minas Gerais


Evangelhos (= boa notícia)
Mateus, Marcos e Lucas são considerados “sinóticos”, ou seja, com estrutura semelhante. O conteúdo do Evangelho de João tem várias passagens próprias, se comparado aos outros três. 

Imagens dos quatro evangelistas,
entrada da Catedral de Brasília-DF.
A escultura solitária representa São João.

- Evangelho segundo São Mateus (Mt)
Mostra quem é Jesus e o apresenta como aquele que realiza a boa justiça de Deus.

- Evangelho segundo São Marcos (Mc)
Jesus se apresenta principalmente com ações. Deixa-se para o leitor a tarefa de concluir quem é Jesus. Por sua didática, é uma leitura recomendável para os iniciantes no cristianismo.

- Evangelho segundo São Lucas (Lc)
Mostra Jesus como aquele que cria uma nova história de fraternidade. 


- Evangelho segundo São João (Jo)
De estrutura diferente dos três evangelhos anteriores, João relata sete milagres de Jesus (chamados de “sinais”). É um livro de conteúdo profundamente teológico e belo. 


Atos

- Atos dos Apóstolos (At)

É uma espécie de continuação do Evangelho de São Lucas. Relata os primeiros tempos do cristianismo. Um livro muito interessante.


Cartas Paulinas
Mensagens atribuídas ao apóstolo Paulo. 


- Carta aos Romanos (Rm)
Fala aos primeiros cristãos de Roma sobre a salvação que vem de Jesus Cristo.

- Primeira Carta aos Coríntios (1Cor)
Chama à união os cristãos da cidade grega de Corinto. Nessa carta é que está o célebre hino ao amor (capítulo 13).

- Segunda Carta aos Coríntios (2Cor)
Espécie de coletânea de outras mensagens de Paulo ao povo de Corinto (Grécia). 

- Carta aos Gálatas (Gl)
Essa carta é endereçada aos primeiros cristãos da região da Galácia, na Ásia Menor. Convida o povo a uma espiritualidade sincera, sem “legalismos”.

- Carta aos Efésios (Ef)
A epístola aos cristãos de Éfeso chama o povo a viver plenamente conforme a mensagem de Jesus.

- Carta aos Filipenses (Fl)
Essa carta foi endereçada à primeira comunidade cristã da Europa, situada na cidade de Filipos.

- Carta aos Colossenses (Cl)
Dá esclarecimentos à comunidade de Colossas sobre questões da doutrina cristã.

- Primeira Carta aos Tessalonicenses (1Ts)
Dirigida aos cristãos de Tessalônica, importante cidade comercial e cultural no mundo antigo. É o primeiro documento escrito do Segundo Testamento e do cristianismo.

- Segunda Carta aos Tessalonicenses (2Ts)
Entre outros assuntos, fala da segunda vinda de Cristo.

São Paulo Apóstolo.
Praça de São Pedro, Vaticano

- Primeira Carta a Timóteo (1Tm)
Paulo encoraja Timóteo, seu discípulo, a exercer a missão de anunciar o evangelho.

- Segunda Carta a Timóteo (2Tm)
À espera do martírio, em Roma, Paulo continua a encorajar seu discípulo.

- Carta a Tito (Tt)
Muito semelhante à primeira carta a Timóteo, São Paulo esclarece pontos fundamentais da fé cristã.

- Carta a Filêmon (Fm)
Essa é a única escrita de próprio punho por Paulo e a mais breve. Prega a relação fraterna entre os cristãos.


Sermão sobre Cristo

- Carta aos Hebreus (Hb)
Em formato de sermão, fala de Jesus Cristo como único sacerdote e mediador entre Deus e os homens.


Cartas Católicas (= universais)
Escritas para toda a Igreja.

- Carta de São Tiago (Tg)
Atribuída ao apóstolo Tiago, prega que a fé cristã tem validade somente com ações concretas em favor dos mais necessitados.

- Primeira Carta de São Pedro (1Pd)
Atribuída ao apóstolo Pedro, essa carta pede que os cristãos sejam unidos e solidários.

- Segunda Carta de São Pedro (2Pd)
Mesmo com esse nome, acredita-se ter sido composta por outra pessoa. É o último escrito do Segundo Testamento. Prega a esperança.

- Primeira Carta de São João (1Jo)
Escrita pelo apóstolo João ou um de seus discípulos. Prega uma fé concreta, baseada em atitudes.

- Segunda Carta de São João (2Jo)
Também atribuída ao apóstolo João, essa epístola combate doutrinas estranhas aos ensinamentos de cristo.

- Terceira Carta de São João (3Jo)
Esse brevíssimo escrito questiona o bispo Diótrefes, que, talvez por autoritarismo, recusa-se a receber alguns missionários.

- Carta de São Judas (Jd)
É atribuída ao apóstolo Judas Tadeu. Anima os cristãos a manterem-se firmes na fé.


Apocalipse

- Apocalipse (ou Revelação) (Ap)
Esse famoso livro, carregado de linguagem simbólica, anima os cristãos a enfrentarem os difíceis momentos de perseguição pelos quais passariam. Sua autoria é atribuída ao apóstolo João, o mesmo do quarto evangelho.


Veja também


- Conheça os livros do Antigo Testamento



sábado, 7 de setembro de 2013

Deus se revela por uma biblioteca

São Jerônimo (tradutor e estudioso da Bíblia) em seu escritório.
Domenico Ghirlandaio (1480), Igreja de Todos os Santos, Florença, Itália

A doutrina cristã tem como fonte básica a Bíblia. Nela está contida a mensagem de Deus para a humanidade, segundo a fé judaico-cristã. É interessante notar que alguns fatos e personalidades também coincidem com os da fé islâmica.

Ao pé da letra, a palavra Bíblia, originária do grego “biblión”, significa “livrinhos”. E ela é isso mesmo, uma biblioteca de pequenos volumes que trazem mensagens baseadas em determinado contexto e que têm o objetivo de guiar a vida do povo de Israel.

Em poucas palavras, a Bíblia relata um acordo que Deus fez com os israelitas: o Criador promete liberdade, proteção e vida àquele povo, e este promete viver na fraternidade, seguindo a vontade de Javé (nome dado a Deus). Da parte da humanidade, no entanto, esse pacto foi (é) sempre quebrado, o que não ocorre do lado de Deus.

Atualmente há uma tendência em se dizer que, na Bíblia, “está contida” a palavra de Deus, em vez de se dizer que ela é puramente “a” palavra de Deus. Isso porque há muita coisa na Sagrada Escritura mais baseada no jeito humano de pensar (com erros e acertos) do que necessariamente na vontade de Deus. Mas, no geral, é importante saber que, para os cristãos, é por meio da Bíblia que a humanidade pode, de forma mais direta, conhecer o Criador.

Saiba mais


- Compêndio do Catecismo

- BAZAGLIA, Paulo. Primeiros passos com a Bíblia. São Paulo: Paulus, 2004.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Saiba por que as bíblias não são iguais

Todas as bíblias, desde que tenham uma tradução digna, são recomendáveis. Mas há diferenças entre as versões usadas pelos católicos e pelos protestantes. Antes de tudo, é importante salientar que ambas são fontes de fé e de revelação, por isso devem ser profundamente respeitadas, aliás, como qualquer outro livro tido como sagrado.

A diferença principal entre as duas é no número de livros. Na Bíblia usada pelos católicos, há alguns textos a mais no Primeiro Testamento. São eles: Baruc, Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Macabeus (os dois), grande parte do livro de Ester e trechos do livro de Daniel. Esses escritos são chamados de “deuterocanônicos”, ou seja, que foram considerados canônicos (eclesiasticamente legais) mais tarde, depois que os outros livros do Primeiro Testamento já estavam organizados. As igrejas Católica e Ortodoxa consideraram esses textos como inspirados, ou seja, foram reconhecidos entre aqueles que também trazem a palavra de Deus. Aos poucos, algumas igrejas protestantes também já os incorporam.

Mas, por que existe essa diferença? A explicação é fácil. No princípio, o Primeiro Testamento existia somente em hebraico, língua acadêmica do povo de Israel. Com a emigração de judeus para várias partes do mundo conhecido da Antiguidade, eles sentiram a necessidade de traduzir o texto sagrado para o grego, idioma predominante na época. Nessa adaptação, foram acrescentados alguns livros mais recentes e que não estavam na Bíblia hebraica. São justamente os que constam da Bíblia usada pelos católicos.

No caso do Segundo Testamento, não há variação estrutural entre as bíblias. O que pode haver é somente diferença de traduções, mas com a mesma mensagem.

Outra curiosidade nas bíblias lidas pelos católicos é que, geralmente, há nelas muitas notas de rodapé, com explicações sobre as passagens. Isso não é muito comum em nas versões usadas protestantes.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Sete dicas para ler a Bíblia

A Bíblia é uma fonte inesgotável de espiritualidade e de força para o dia a dia. Mas é preciso ter cuidado com as leituras descontextualizadas ou ingênuas, levando ao fundamentalismo e até ao medo. Veja, a seguir, sete dicas para conhecer melhor a mensagem bíblica.

Entender o contexto

A Bíblia é uma obra diferente, não foi escrita para ser lida de uma só vez. Cada livro precisa ser entendido com base na situação em que foi elaborado. Leituras apressadas e sem reflexão podem deturpar seriamente a mensagem.

A Bíblia é para iluminar

Normalmente as Sagradas Escrituras não trazem respostas prontas para as situações do cotidiano. Para entendermos o que ela transmite, precisamos fazer uma leitura adaptada para a nossa história. Somente assim a Bíblia se torna uma fonte inesgotável de sabedoria.

Não ler ao pé da letra

Muitas coisas na Bíblia não podem ser tomadas literalmente. Diversos gestos, números e até personagens são simbólicos. Por ter sido escrita em época, língua, região e culturas diferentes da nossa, corre-se o risco de acharmos coisas estranhas para os nossos costumes. Por isso, entender a simbologia é importantíssimo para que compreendamos a riquíssima mensagem da Bíblia. Uma má leitura da Bíblia leva ao fundamentalismo.

A Bíblia é fruto de uma experiência comunitária

Algumas pessoas acham que a Bíblia é um livro mágico, que dá respostas isoladas para situações particulares. Isso é um erro. As Sagradas Escrituras são fruto de uma experiência feita por uma comunidade que, como a nossa, tinha virtudes e defeitos. Saber disso ajuda a entender a profundidade das mensagens.

A Bíblia é um livro de religião

O Texto Sagrado tem pouquíssima intenção de trazer pormenores de ciência. A cultura oriental, diferentemente da grega (pela qual fomos influenciados), não se preocupa tanto em dar conceitos, fórmulas, bases teóricas. Por isso, a Bíblia deve ser vista como um livro de experiência espiritual. Segundo Paulo Bazaglia, em seu livro “Primeiros passos com a Bíblia”, ler como relato histórico a narrativa da criação (mito de Adão e Eva, no Livro do Gênesis), por exemplo, seria o mesmo que acreditar que cegonha é quem traz os bebês ou em Papai Noel.

A mensagem bíblica não gera medo

Por mais dramático que seja uma história bíblica, a mensagem final sempre é a de esperança e não a de medo ou tristeza. A leitura cuidadosa das Sagradas Escrituras mostra que Deus sempre cuida de seu povo, ainda que este esteja em situações extremamente difíceis. É equivocada, portanto, qualquer interpretação que leva ao medo.

Ler em clima de oração

Justamente por ser um livro religioso, as igrejas cristãs recomendam que a Bíblia seja lida, refletida e, principalmente, aplicada em um clima de oração. De preferência, deve ser recitada em comunidade, em família. Hoje há muitos métodos de leitura e meditação da Sagrada Escritura. Um deles é a “leitura orante da Bíblia”. Vale a pena pesquisar sobre o assunto.


Saiba mais



- Cebi (Centro de Estudos Bíblicos)

- BAZAGLIA, Paulo. Primeiros passos com a Bíblia. São Paulo: Paulus, 2004.