domingo, 15 de setembro de 2013

A Bíblia: quem a escreveu e quando

Versão de 1590 da Vulgata
A Bíblia foi escrita aos poucos, por diversas pessoas, geralmente registrando tradições orais. Pode-se dizer que o autor do Livro Sagrado é o próprio povo. Uma comunidade que viveu e transmitiu as experiências de relação com Deus, com base em fatos do cotidiano.

Alguns estudiosos acreditam que a Bíblia começou a ser elaborada a partir do século IX antes de Cristo e foi concluída no final do século I. É interessante observar que a disposição de muitos livros bíblicos não é necessariamente ordenada cronologicamente. Alguns, como os proféticos, por exemplo, são dispostos de acordo com a extensão do texto.

Os idiomas originais


Os textos bíblicos originais foram escritos em hebraico, aramaico e grego. A maior parte do Primeiro Testamento (conhecido também como Antigo Testamento) foi redigida em hebraico, língua oficial do povo israelita. Alguns livros do Primeiro e todo o Segundo Testamento (chamado também de Novo Testamento) foram registrados em grego. Trechos dos livros de Esdras e Daniel foram grafados em aramaico.

Por volta do século III a.C., o texto judaico foi todo traduzido para o grego. O objetivo era atender principalmente aos vários judeus espalhados pelo mundo conhecido da época e que só falavam a língua helênica. Uma antiga história conta que esse trabalho de tradução foi feito por 70 sábios, por isso ele é conhecido como Versão dos Setenta.

A partir do século II d.C., os seguidores de Jesus começaram a passar o texto sagrado para o latim, a chamada “Vetus latina” (a antiga tradução do latim). Essa versão não é unânime entre os estudiosos, pois foram encontradas quase 30 variações do texto. Muitos dizem que esse formato surgiu apenas para suprir a falta do texto sagrado em determinadas comunidades.

Mais tarde, no século IV, São Jerônimo fez uma nova tradução para o latim, mas, desta vez, partiu do texto em língua hebraica para o Primeiro Testamento e o de uma versão da “Vetus latina” para o Segundo Testamento. Esse trabalho ganhou o nome de “Vulgata”. Ainda nos primeiros séculos do cristianismo, a Bíblia ganhou versões para outros idiomas também importantes na época, como o siríaco, árabe, etíope, copta e armênio. Hoje é considerado o “livro” (na verdade, uma coletânea de livros) mais vendido e traduzido em todo o mundo.

Patrono dos tradutores

São Jerônimo. Caravaggio (1573-1610)

São Jerônimo é o padroeiro dos tradutores. Conta-se que o santo tinha um temperamento difícil e uma palavra feroz, mas era muito dedicado à meditação, estudo e tradução das Escrituras. Foi graças a ele que o mundo ocidental pôde apreciar melhor a Bíblia. A Igreja comemora São Jerônimo no dia 30 de setembro, fechando justamente o mês dedicado ao Livro Sagrado.

O trabalho de tradução da Bíblia para as línguas modernas é muito minucioso, pois cada idioma carrega em si traços culturais bem típicos do povo que o fala. No caso da cultura hebraica, muito antiga e diferente da nossa, alguns termos precisam ser bem entendidos para que a mensagem não fique deturpada, levando ao fundamentalismo. É preciso sempre pesquisar em fontes seguras para saber o que realmente as passagens querem transmitir.

Saiba mais


- Compêndio do Catecismo

- BAZAGLIA, Paulo. Primeiros passos com a Bíblia. São Paulo: Paulus, 2004.


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