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| A criação de Adão. Michelangelo (1475-1564). Capela Sistina, Vaticano |
O cristão acredita que Deus é o criador das coisas visíveis e invisíveis. A Bíblia apresenta essa atitude divina no mito da criação, no Livro de Gênesis (do capítulo 1º ao capítulo 2º, versículo 5). É necessário, no entanto, refletir sobre um ponto.
Evolução ou criação?
Parece estranho, mas ainda neste Terceiro Milênio, há quem acredite que a criação do mundo foi exatamente como está narrado no início do livro do Gênesis (o primeiro da Bíblia). Isso provoca um debate entre os que leem a Bíblia ao pé da letra e os que defendem descobertas científicas e outras interpretações a respeito do surgimento da vida.
Antes de qualquer coisa, é oportuno esclarecer que não deveria haver incompatibilidade entre acreditar em um Deus Criador e, ao mesmo tempo, saber que a vida surgiu de uma série de fatores naturais que geraram a primeira célula. Um pensamento não anula o outro.
Há, no entanto, fortíssimos movimentos, sobretudo nos Estados Unidos, que pregam que a explicação bíblica da criação é a verdadeira e única tese para o surgimento da vida. Grupos extremamente conservadores (“fundamentalistas” seria a melhor denominação) chegam mesmo a proibir o ensino das descobertas científicas sobre a evolução das espécies.
O mito bíblico da criação do mundo, na verdade, tem uma finalidade teológica, ou seja, é uma explicação espiritual. Não é um tratado científico ou histórico. Está implícita uma verdade de fé, que diz que Deus é o Pai de toda criação e que Ele a abençoa porque tudo o que criou é bom, e que ele conta com o ser humano para continuar e cuidar da criação, conforme está escrito no primeiro capítulo do livro do Gênesis.
No caso da criação do homem, a passagem bíblica (com um texto sublime, diga-se) conta que Deus criou Adão (substantivo comum que significa “aquele que vem da terra”) e Eva (também um substantivo comum: “aquela que dá a vida”). Adão foi moldado da argila, e Eva, da costela do “primeiro homem”. Não há necessariamente referência a um casal, mas ao gênero humano como um todo. Portanto não se deve achar que deles é que surgiram todas as pessoas. Paulo Bazaglia (veja referência a seguir) diz que a crença na narrativa da criação como fato histórico é o mesmo que esperar Papai Noel ou acreditar que a cegonha é quem traz crianças ao mundo.
Fica aqui o alerta: ler a Bíblia ao pé da letra é uma grande armadilha. No mínimo, leva ao fundamentalismo e pode acabar em contradição, pois, em nome de uma fé cega, acaba por ofuscar a contemplação da grandiosidade da obra divina.
Saiba mais
- Compêndio do Catecismo da Igreja
- Vale a pena conhecer o livro de Gênesis (o primeiro da Bíblia). O belo texto da criação é muito famoso (Gn 1-2,5).
- BAZAGLIA, Paulo. Primeiros passos com a Bíblia. São Paulo: Paulus, 2004.

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