quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Artigo: "Setembro, Mês da Bíblia"


Wiliam Gonçalves*

Setembro foi escolhido como o Mês da Bíblia porque, no dia 30, a Igreja celebra a memória litúrgica de São Jerônimo, o padroeiro dos estudos bíblicos. Esse presbítero e doutor da Igreja nasceu aproximadamente no ano 350 e morreu em 420. Deixou uma grande obra, constituída principalmente de comentários à Sagrada Escritura. Mas sua principal produção literária foi a tradução latina da Bíblia, chamada Vulgata, que se tornou o texto oficial da Igreja Católica. Curioso é que a palavra “vulgata” é da mesma raiz do verbo que, em latim, significa “divulgar, espalhar, fazer comum”. São Jerônimo desejava que a Bíblia fosse do “vulgo”, da classe popular da sociedade.

Os católicos cremos que a Bíblia é o registro escrito da palavra de Deus dirigida aos homens. Ela é, por antonomásia, a Sagrada Escritura. O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, em sua questão 18, ensina que “o Espírito Santo inspirou os autores humanos, que escreveram o que ele quis nos ensinar. A fé cristã, todavia, não é uma religião do Livro, mas da Palavra de Deus, que não é uma palavra escrita e muda, mas o Verbo encarnado e vivo”.

Sendo um livro religioso, não procuramos na Sagrada Escritura certezas que não sejam religiosas. Se tentássemos harmonizar os primeiros capítulos do Gênesis com o que se sabe da Pré-história da humanidade ou entender ao pé da letra como pôde o Sol parar a mando de Josué (Js 10,12-14), estaríamos envolvidos por insolúveis e absurdos problemas. Isso porque a Bíblia foi escrita para instrução e edificação da fé, não para servir de manual de ciências naturais.

Importantíssimo para uma boa leitura da Bíblia é descobrir a real intenção dos seus autores e os variados gêneros literários em que ela foi escrita. Tomar qualquer texto bíblico em sentido diferente do que lhe quis dar o escritor sagrado é sempre incorrer em erro e chegar a conclusões indevidas. A veracidade de cada passagem da Bíblia se depreende do seu respectivo gênero literário. Ater-se a estas coisas pode parecer difícil, mas não é. Basta que se leia a Bíblia como a Igreja quer que seja lida: em comunidade. Leituras individuais e solitárias da Escritura serão sempre um perigo. A mensagem de Deus é para seu povo, e é como povo, os pastores e as ovelhas, que a compreendemos devidamente.

Javé é o Deus que gosta de nos presentear. Na primeira página da Bíblia, diz-se que Ele plantou um jardim e ali pôs o homem que havia formado. Jardim cheio de flores, com certeza, era aquele. E setembro é o mês em que as flores desabrocham, e a Igreja nos vem falar da Sagrada Escritura, um jardim com 73 lindas flores. Tudo isso são outros presentes que Ele nos fez. Deus seja louvado!


* Professor, licenciado em Filosofia.


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